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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

A opressão nas eleições

Vamos ser bem honestos.

Tem muita gente sendo oprimida pela ideologia de algumas classes que neste atual governo se colocaram como dominantes, como os milicianos, uma galera de uma alta elite da igreja evangélica, empresários a beira da falência, ou uma galera louca para invadir mais e mais da Amazônia, ou de áreas de reserva. E Bolsonaro consegue ser a convergência de todos estes. É essa galera que é racista, homofóbica, machista, xenófoba, intolerante, é essa galera que não quer um país progressista, que se beneficiam do país vivendo em um grande atraso.

É este tipo de gente que resolve fazer campanha política com mentiras, com montagens, com todo tipo de jogo sujo que eles podem. Tudo para evitar que algo mudem e que eles tenham que responder criminalmente pelo que fazem. 

Acredite, eles conseguem atingir muita gente, desde as igrejas com inúmeras casas que ao invés de pregar sobre o seu deus resolvem falar de política, até os vários vídeos de "patrões" ameaçando seus funcionários em caso de voto contrário ao do Bolsonaro. Esse padrão pode nem ter muita coisa, mas conseguiu estar em um grupo que tem alguém mais relevante, que está no grupo de alguém mais relevante... e então ele acaba pensando que também pode fazer algo assim. 

Ah... na história isso era conhecido como o "Voto de Cabresto", algo que era uma forma de comprar votos e que acontecia no nosso país a um século atrás, lembra quando falam de coronelismo? E quem faz isso nem se importa se isso é ou não um crime, pra eles ser um criminoso perante a lei não vale de muita coisa porque eles não tem o mínimo de ética, o mínimo de moral para se importar com isso. Ou ainda, mesmo que ganhe uma multa ou alguma pena que eles podem simplesmente não cumprir, não pagar, ou se pagar é algo tão irrisório que nem pareceu uma punição por um crime.

São estes que conseguem influenciar uma parte do povo, fazer com que eles nem saibam direito o que criticam, não sabem o porque defendem Bolsonaro, não sabem o porque não votam no outro candidato. Os que são atingidos por uma onda de manipulação, com inúmeras fake news criando um mundo que não existe, e que  não medem esforços para tentar detonar todos aqueles que entram em desacordo com o estes manipuladores querem. 

Assim, muita gente acaba defendendo um governo que vai contra os seus próprios princípios, contra os seus próprios interesses. Tudo isso porque em algum momento um bando de iletrados, retrógrados, imorais e criminosos querem continuar sendo as atrocidades que são.



terça-feira, 14 de junho de 2022

A parábola do taxista - a dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico

O diálogo aconteceu entre uma jornalista e um taxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping Villa Lobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler o jornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz. Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquela sexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos, estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes para pedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro “com cheiro de jaula”. Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado. Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu quero muito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele era jovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, ela sugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quem não lia nada...”, ele contou. “O importante é ler o que você gosta”, ela estimulou. “O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogo conquistou o direito a seguir com travessões.

- Você é evangélico? – ela perguntou.
- Sou! – ele respondeu, animado.
- De que igreja?
- Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bola de Neve.
- Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar, mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?
- Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bem legal. De vez em quando eu vou lá.
- Legal.
- De que religião você é?
- Eu não tenho religião. Sou ateia.
- Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.
- Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.
- Deus me livre!
- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.
- (riso nervoso).
- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?
- Por que as boas ações não salvam.
- Não?
- Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.
- Mas eu não quero ser salva.
- Deus me livre!
- Eu não acredito em salvação. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.
- Acho que você é espírita.
- Não, já disse a você. Sou ateia.
- É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.
- Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá me pegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, mas você queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu por ser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque é evangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?
- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto...

O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida. Mas ele fora doutrinado para acreditar que um ateu é uma espécie de Satanás. Como resolver esse impasse? (Talvez ele tenha lembrado, naquele momento, que o pastor avisara que o diabo assumia formas muito sedutoras para roubar a alma dos crentes. Mas, como não dá para ler pensamentos, só é possível afirmar que o taxista parecia viver um embate interno: ele não conseguia se convencer de que a mulher que agora falava sobre o cartão do banco que tinha perdido era a personificação do mal.)

Chegaram ao destino depois de mais algumas conversas corriqueiras. Ao se despedir, ela agradeceu a corrida e desejou a ele um bom fim de semana e uma boa noite. Ele retribuiu. E então, não conseguiu conter-se:

- Veja se aparece lá na igreja! – gritou, quando ela abria a porta.
- Veja se vira ateu! – ela retribuiu, bem humorada, antes de fechá-la.
Ainda deu tempo de ouvir uma risada nervosa. 

A parábola do taxista me faz pensar em como a vida dos ateus poderá ser dura num Brasil cada vez mais evangélico – ou cada vez mais neopentecostal, já que é esta a característica das igrejas evangélicas que mais crescem. O catolicismo – no mundo contemporâneo, bem sublinhado – mantém uma relação de tolerância com o ateísmo. Por várias razões. Entre elas, a de que é possível ser católico – e não praticante. O fato de você não frequentar a igreja nem pagar o dízimo não chama maior atenção no Brasil católico nem condena ninguém ao inferno. Outra razão importante é que o catolicismo está disseminado na cultura, entrelaçado a uma forma de ver o mundo que influencia inclusive os ateus. Ser ateu num país de maioria católica nunca ameaçou a convivência entre os vizinhos. Ou entre taxistas e passageiros.

Já com os evangélicos neopentecostais, caso das inúmeras igrejas que se multiplicam com nomes cada vez mais imaginativos pelas esquinas das grandes e das pequenas cidades, pelos sertões e pela floresta amazônica, o caso é diferente. E não faço aqui nenhum juízo de valor sobre a fé católica ou a dos neopentecostais. Cada um tem o direito de professar a fé que quiser – assim como a sua não fé. Meu interesse é tentar compreender como essa porção cada vez mais numerosa do país está mudando o modo de ver o mundo e o modo de se relacionar com a cultura. Está mudando a forma de ser brasileiro.

Por que os ateus são uma ameaça às novas denominações evangélicas? Porque as neopentecostais – e não falo aqui nenhuma novidade – são constituídas no modo capitalista. Regidas, portanto, pelas leis de mercado. Por isso, nessas novas igrejas, não há como ser um evangélico não praticante. É possível, como o taxista exemplifica muito bem, pular de uma para outra, como um consumidor diante de vitrines que tentam seduzi-lo a entrar na loja pelo brilho de suas ofertas. Essa dificuldade de “fidelizar um fiel”, ao gerir a igreja como um modelo de negócio, obriga as neopentecostais a uma disputa de mercado cada vez mais agressiva e também a buscar fatias ainda inexploradas. É preciso que os fiéis estejam dentro das igrejas – e elas estão sempre de portas abertas – para consumir um dos muitos produtos milagrosos ou para serem consumidos por doações em dinheiro ou em espécie. O templo é um shopping da fé, com as vantagens e as desvantagens que isso implica.

É também por essa razão que a Igreja Católica, que em períodos de sua longa história atraiu fiéis com ossos de santos e passes para o céu, vive hoje o dilema de ser ameaçada pela vulgaridade das relações capitalistas numa fé de mercado. Dilema que procura resolver de uma maneira bastante inteligente, ao manter a salvo a tradição que tem lhe garantido poder e influência há dois mil anos, mas ao mesmo tempo estimular sua versão de mercado, encarnada pelos carismáticos. Como uma espécie de vanguarda, que contém o avanço das tropas “inimigas” lá na frente sem comprometer a integridade do exército que se mantém mais atrás, padres pop star como Marcelo Rossi e movimentos como a Canção Nova têm sido estratégicos para reduzir a sangria de fiéis para as neopentecostais. Não fosse esse tipo de abordagem mais agressiva e possivelmente já existiria uma porção ainda maior de evangélicos no país.

Tudo indica que a parábola do taxista se tornará cada vez mais frequente nas ruas do Brasil – em novas e ferozes versões. Afinal, não há nada mais ameaçador para o mercado do que quem está fora do mercado por convicção. E quem está fora do mercado da fé? Os ateus. É possível convencer um católico, um espírita ou um umbandista a mudar de religião. Mas é bem mais difícil – quando não impossível – converter um ateu. Para quem não acredita na existência de Deus, qualquer produto religioso, seja ele material, como um travesseiro que cura doenças, ou subjetivo, como o conforto da vida eterna, não tem qualquer apelo. Seria como vender gelo para um esquimó.

Tenho muitos amigos ateus. E eles me contam que têm evitado se apresentar dessa maneira porque a reação é cada vez mais hostil. Por enquanto, a reação é como a do taxista: “Deus me livre!”. Mas percebem que o cerco se aperta e, a qualquer momento, temem que alguém possa empunhar um punhado de dentes de alho diante deles ou iniciar um exorcismo ali mesmo, no sinal fechado ou na padaria da esquina. Acuados, têm preferido declarar-se “agnósticos”. Com sorte, parte dos crentes pode ficar em dúvida e pensar que é alguma igreja nova.

Já conhecia a “Bola de Neve” (ou “Bola de Neve Church, para os íntimos”, como diz o seu site), mas nunca tinha ouvido falar da “Novidade de Vida”. Busquei o site da igreja na internet. Na página de abertura, me deparei com uma preleção intitulada: “O perigo da tolerância”. O texto fala sobre as famílias, afirma que Deus não é tolerante e incita os fiéis a não tolerar o que não venha de Deus. Tolerar “coisas erradas” é o mesmo que “criar demônios de estimação”. Entre as muitas frases exemplares, uma se destaca: “Hoje em dia, o mal da sociedade tem sido a Tolerância (em negrito e em maiúscula)”. Deus me livre!, um ateu talvez tenha vontade de dizer. Mas nem esse conforto lhe resta.

Ainda que o crescimento evangélico no Brasil venha sendo investigado tanto pela academia como pelo jornalismo, é pouco para a profundidade das mudanças que tem trazido à vida cotidiana do país. As transformações no modo de ser brasileiro talvez sejam maiores do que possa parecer à primeira vista. Talvez estejam alterando o “homem cordial” – não no sentido estrito conferido por Sérgio Buarque de Holanda, mas no sentido atribuído pelo senso comum.

Me arriscaria a dizer que a liberdade de credo – e, portanto, também de não credo – determinada pela Constituição está sendo solapada na prática do dia a dia. Não deixa de ser curioso que, no século XXI, ser ateu volte a ter um conteúdo revolucionário. Mas, depois que Sarah Sheeva, uma das filhas de Pepeu Gomes e Baby do Brasil, passou a pastorear mulheres virgens – ou com vontade de voltar a ser – em busca de príncipes encantados, na “Igreja Celular Internacional”, nada mais me surpreende.

Se Deus existe, que nos livre de sermos obrigados a acreditar nele.


Texto do site da revista epoca escrito por ELIANE BRUM.
Post movido de um outro blog meu, postado originalmente em 15/11/20211.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Um desabafo sobre essa parada

 Eu me questiono porque alguns se esforçam tanto para se encaixar em um padrão pré-moldado por uma parte específica da sociedade.

Isso me faz pensar no que incentiva uma pessoa a pagar 200 conto num copo destes.

Se não quer beber, não tire a água da torneira, não tire a água do seu filtro, não tire a água da geladeira.

Isso serva para o leite, para o café, para o suco, para o refrigerante, para a cerveja... para qualquer coisa que você não quer consumir e quer reservar em algum lugar.

Não precisa colocar num copo que precisa ser igual ao copo que outra pessoa que você quer ser igual tem.

Cadê a sua personalidade?

Precisa ser tão igual ao "padrão" assim?

Você se sentiria frustrado(a) em seu circulo social se não comprar uma parada destas?

Certeza que você quer fazer parte deste grupo específico de pessoas?

Ter um copo de 200 reais é tão importante assim?

Agora se você caga dinheiro, pegue outros 200 conto aí e vá no mercado, compre produtos não perecíveis para ajudar quem está passando fome. Natal sem fome, já pensou?

Um investimento melhor que ter um "porta canetas" que você vai colocar líquidos pra não colocar canetas.


É isso, me desculpa o desabafo aleatório de uma coisa que não faz o menor sentido pra mim, mas que uma parcela da sociedade se esforça muito para ser, para ter.

terça-feira, 6 de abril de 2021

Sarah e Rodolfo, quantos deles você conhece?


 Sarah, uma mulher maravilhosamente linda e que passou um tempo morando nos EUA e parte de sua renda provinha de festas que ela era convidada a participar, festas de famosos e anônimos que ela era convidada de luxo, até onde me informei, ela ganhava dinheiro para participar de festas e deixá-las mais bonitas. 

Rodolfo, um cara do sertanejo, cantor de dupla sertaneja que curiosamente ficou mais conhecido após sua ex-namorada (Rafa Kalimann) participar do BBB20. Ele aparentemente tem uma grana boa, é alguém que com aquilo que já herdou ou conquistou se acha no direito de falar o que pensa sem conhecer muito aquilo que está ao seu redor..

Sarah que com sua beleza já esteve em lugares inesperadamente surpreendentes como a casa do astro pop Justin Bieber, aprendeu a ser seletiva e escolher aquilo que sempre era o melhor pra ela, mas mais do que isso, ela passou a literalmente ignorar, marginalizar o que acontece no mundo ao seu redor e não é do seu interesse.

Rodolfo é um pouco diferente, com a popularidade que ganhou lhe deram, de certa forma, um status. E este status provavelmente está no quanto de seus amigos, de homens e mulheres que poderiam frequentar uma festa, um churrasco que ele decidisse fazer.

Quantas Sarahs e Rodolfos você conhece?

Trazendo para o mundo real, a Sarah é a guria bonita que é louca para uma festa, se for um sertanejo ou Open Bar não precisa nem falar, todos já sabem que ela estará lá. E o Rodolfo é o cara que dá as festas, que fica no camarote e que pelo dinheiro que tem, tenta ditar as regras das situações. 

Sarahs acabam ficando com Rodolfos, o que é bom para os dois. Quando uma Sarah fica com um Rodolfo, ela ganha um status ainda maior, ela fica em destaque naquele meio, isso é tudo o que seu ego precisa pois assim ela irá continuar sua vida de festas e agrados. Quando um Rodolfo fica com uma Sarah ele se acha a última bolacha do pacote, fica com o ego cheio, pensa que é o fodão e que pode fazer e falar o que quiser. 

E eles acabam criando um universo onde um sempre acaba encontrando o outro, e de certa forma acabam sempre um concordando com o outro, criando uma simetria de pensamentos. No Big Brother nós pudemos ver isso observando as atitudes da Sarah e o que ela contou que fazia na pandemia antes de entrar na casa, causos de festas clandestinas e coisas do gênero, sem a mínima preocupação com a sua própria saúde e a dos seus próximos. No Rodolfo nós pudemos ver pela sua postura, pelo seu posicionamento extremamente infeliz diversas vezes, tão infeliz quanto às declarações de Jair Bolsonaro. E o mais curioso é que existiu uma espécie bem complicada de tentativa de relacionamento entre os dois na casa, tanto que a Rafa, ex do Rodolfo, disse apoiar a relação entre os dois.

Este é um ciclo que se retroalimenta. Quanto mais Sarahs tivermos para ir em festas de Rodolfos, mais Rodolfos surgirão por aí. E quanto mais Rodolfos existirem por aí, maiores são as chances de novas Sarahs surgirem.

É assim que a escrotidão tem vencido nestes tempos modernos. 



P.S.: Desde que escrevi este texto eu sinto que eu esqueci de comentar uma coisa. Agora, oito dias após a publicação eu estou aqui para complementar que algumas vezes, quase que por consequência das atitudes de alguns Rodolfos, as Sarahs podem perceber que talvez este não seja o melhor caminho para seguir. E quando isso acontece, ela começa a deixar de ser uma Sarah e entra no mundo real. Mas algo neste sentido dificilmente acontece com os Rodolfos.

segunda-feira, 29 de março de 2021

O que o BBB nos mostra (ou esconde)

Bem, primeiramente eu queria falar que eu não assisto BBB. Mas volta e meia aparece alguma notícia que eu acabo lendo e tirando algumas conclusões que podem nem ser as mais realistas sobre o que acontece lá dentro da casa, mas que me ajudam a pensar sobre como nós aqui fora pensamos.

Estes dias vi essa manchete e achei um tanto curiosa, resolvi ler e fiquei pensando quem era essa tal de Thaís. Sim, eu não sei quem é, fiquei curioso mas mesmo assim resolvi não pesquisar quem era a guria pois eu estava fazendo outra coisa no momento.

Clique para ler.

E hoje, dando uma olhada no Twitter eu vi que o BBB esta nos trends, resolvi mudar a tv de monitor para a Globo e ver o que estava acontecendo. Era uma prova para livrar alguém do paredão (nem sabia que isso existia), e a falada Thaís estava participando dessa prova.

A foto dela abaixo mostra que ela é bastante bonita, e a maioria dos caras que eu conheço quase que soltaria fogos por ter ficado com uma guria como ela. 

Fiuk é filho de um dos maiores galãs da TV brasileira, seu pai já se casou várias vezes e virou até um grande meme por causa disso. Outro dia também li um report de que o Fiuk foi ao confessionário pra falar o quanto tomar banho de sunga e não poder aparar seus pelos pubianos estava lhe incomodando.

Já se foi falado que Fiuk tem TDAH e sofre crises de ansiedade. E eu fico imaginando tudo o que pode se passar pela cabeça do brother a cada episódio que ele passa ali dentro da casa. 

Ele sabe que está enfrentando julgamentos 24 horas por dia, e ele sabe que muito provavelmente ele deve estar sendo visto como o cara chato, como o cara frouxo, que não é "homem de verdade", e talvez até que ele é meio "bixona".  Afinal de contas ele já mostrou que ele é um tanto diferente daquilo que se espera de um homem, ele não é o cara "pegador" que dá em cima de trocentas mulheres sem demonstrar sentimento algum. 

E é exatamente isso que eu quero falar. O fato de ter se arrependido de ter ficado com uma guria linda, de se incomodar com pelos pubianos, da famosa frase de "desculpa por ser homem" e tantas outras coisas que lhe aconteceram naquela casa deixaram claro que foram em momentos que ele não estava legal, não estava se sentindo bem.

E o Big Brother ao invés de nos mostrar o quanto ainda temos que aprender a conviver e respeitar os outros com seus problemas, tem transformado ele num grande alvo de uma visão extremamente machista sobre os homem.

Homens também são vítimas do machismo quando nestas situações, principalmente quando se depara com uma grande dificuldade em entender seus sentimentos, em demonstrar ou se questionar sobre eles, e também sobre quando enfrentam problemas psicológicos. 


Geralmente a sociedade olha pra tudo isso e entende tudo como uma grande frescura, que o cara tem que aprender a ser homem de verdade. Mas o que é ser homem de verdade?

Muita gente fala que o Big Brother Brasil é um retrato da nossa sociedade. E pra ser sincero eu até concordo com isso, mas existe algumas ressalvas aí.

Alguns dias atrás a Carla Diaz foi eliminada e todo mundo falava que ela era uma tapada que ficava correndo atrás de um cara que não queria nada com ela. Mas mesmo não assistindo ao programa, eu sei que o Arthur, um cara que peguei peguei "ranço", alimentou um possível romance entre os dois por algum tempo e depois simplesmente passou a ignorar ela, a ignorar até a presença dela dentro da casa. Mas na internet ninguém falou isso, apenas apontaram o dedo para uma mulher "que não se dava devido valor".


A internet perdeu a grande oportunidade de falar sobre uma coisa chamada responsabilidade afetiva, algo que deveria ser muito mais discutido no nosso dia-a-dia. E agora ninguém está falando sobre os problemas do Fiuk.

Talvez isso mostre mais sobre a nossa sociedade do que o que realmente acontece lá dentro.

domingo, 29 de novembro de 2020

Fã de automobilismo não gosta de acidentes

Não, nenhum fã de automobilismo gosta de ver um grave acidente. E neste último domingo os fãs de automobilismo vibraram muito ao ver Grosjean saindo do que restou do seu carro ainda em chamas.

Quando tudo deu errado, o carro bateu de frente a 222km/h, o guard rail estranhamente se abriu e o carro explodiu com o vazamento de 140 litros de combustível de altíssima octanagem, TUDO TAMBÉM DEU CERTO. 

O tão criticado Halo que deixou os carros um pouco mais feios abriu o caminho que impediu uma chapa de aço acertasse em cheio a cabeça do piloto, o Hans protegeu o pescoço e impediu que sua cabeça fosse arremessada a 53G para frente, a roupa à prova de fogo e a célula de sobrevivência, que embora tenha sofrido alguns danos, cumpriram seu papel, não houve impacto externo ao corpo do piloto e isso ajudou ele a ficar consciente. O resgate que chegou imediatamente e fez o seu trabalho, Alan der Merwe, o piloto do carro médico, foi preciso com o extintor e isso permitiu que Grosjean tirasse o volante, o sinto de segurança para então pular de dentro das chamas. E Ian Roberts, o coordenador médico que foi dentro do fogo para ajudar o piloto caso ele precisasse.

Sabemos que será realizado um minucioso estudo sobre todas as causas que levaram este acidente a acontecer, e tudo será corrigido para que nada parecido se repita no futuro.

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Você tem amor pelo seu dinheiro?

"iPhone 12 Pro Max poderá custar até R$14 mil no Brasil"
Este é o título de uma matéria da MacMagazine, um site especializado em produtos com a estampa da maçã e que tem um bom grau de confiabilidade sobre as notícias da marca. Na matéria eles listaram todos os novos modelos e os possíveis preços dos novos aparelhos no Brasil. Continuaremos não tendo um iPhone mais barato, o menos caro custará praticamente R$ 7 mil e não virá nem com o carregador. Numa pesquisa rápida no site de vendas da Apple no Brasil, encontrei o carregador mais básico, com a recarga mais lenta pela faixa de duzentos reais. E o inovador carregador com imã que eles deram muito destaque no evento de lançamento do aparelho sai por mais de trezentos reais. Mas vamos ao preço de todos os aparelhos.


O que surpreende tudo isso? Bem... é claro que a apresentação do 12 Pro Max soube entregar para quem produz conteúdo audiovisual algo que "parece não existir" em outros dispositivos, eles fizeram ótimo trabalho nisso. Não tem como negar que a Apple sabe apresentar um dispositivo que embora esteja trazendo coisas que já existem em outros gadgets, eles dão um toque para parecer revolucionário. E é isso que grande parte dos seus consumidores compram, o parecer revolucionário, o parecer especial. Mas mais do que isso, a cada ano que passa eles blindam mais e mais os seus dispositivos. É uma longa história que começou com a retirada do conector de fone de ouvido, depois com a simbólica retirada do botão Home, agora a caixa virá apenas com o aparelho e um cabo, sem carregador ou fones de ouvidos. E acredito que em mais alguns anos e veremos o aparelho até sem o conector do cabo. Sobre o carregador eu já comentei sobre os preços, o fone de ouvido logo dará mais vendas dos AirPods que tem seu preço inicial na casa de R$ 2 mil reais e não fique surpreso não, se você pagou mil e quinhentos no seu celular, o preço destes fones é um absurdo, mas para quem está disposto a pagar 14 mil reais em um aparelho celular para troca-lo no ano seguinte este preço é bastante aceitável.

E o que seria aceitável? A alguns meses atrás foi anunciado o preço no Brasil dos consoles de nova geração, e para a nossa surpresa os preços não serão baratos, mas estão até mais baratos do que a comunidade em si esperava. Pagar cinco mil reais num videogame é um ótimo investimento para quem tem vídeo games, mas é motivo de piada e zoação para aqueles que com uma visão imensamente retrógrada, enxergam um aparelho de videogame como algo para crianças. Eu comprei meu Playstation 3 em 2011, e o meu Playstation 4 no dia do lançamento no Brasil, mas não! Ele não foi o PS4k, comprei ele no mercado cinza e acabou custando pouco mais da metade deste valor. Eu tenho também um Nintendo 3DS e o Nintendo Switch que até pelo preço e raridade dos jogos, acabam sendo os que menos jogo. O Playstation 3 acabou sendo "inutilizado" depois que as empresas pararam de lançar novos jogos para ele, mas ainda sim ele está aqui e alguns dias atrás eu até liguei e joguei ele por um bom tempo. Sim!! Eu liguei e consegui me divertir com eles em um produto comprado a mais de nove anos e que na época quando eu comprei, eu fui chamado de maluco pois todo mundo comprava o X-Box 360 pelo simples fato de poder piratear os jogos. Piratear aliás, é uma coisa que o mundo dos vídeo games me ensinou a não fazer. E em todos estes anos, meus videogames conseguiram me entreter, me contar histórias fantásticas e principalmente, ele conseguiu me divertir. Num primeiro momento um console pode parecer caro, mas depois de comprado, depois que a barreira do preço é quebrada, o console vai te recompensar por cada centavo investido ali e mesmo que você não use mais ele por um longo tempo, quando você ligar ele estará novamente ali para te recompensar e te fazer pensar uma realidade muito gritante: "foi barato!". E por mais que a comunidade não tenha se surpreendido tanto com o preço dos novos consoles, o "resto" encontrou um novo grande motivo para fazer memes. Alguns até ridicularizando o fato de alguém gastar tanto dinheiro em algo que irá durar por anos e mais anos entregando diversão. 

E é quase neste ponto que eu quero chegar. Eu não tenho vaidade por marcas, eu não me importo em usar tênis caros, comprar roupas caras, ou usar um celular com uma maçã. Eu tenho um estilo de vida mais simples, eu sou o cara que compra inúmeras camisetas estampadas para o dia a dia porque acha legal, sou o cara que odeia usar calça jeans e compra elas na promoção. Sou o cara que gosta de usar All Star e que quase que tem uma coleção deles mas que acha um absurdo comprar um Nike de 400 reais, eu nunca tive um Nike. Mas mais do que isso, eu sempre dei muito valor ao meu dinheiro e até hoje eu enxergo isso de uma forma que pode até parecer curiosa. Como por exemplo quando eu abro os aplicativos de delivery, eu percebo que sou um tanto diferente daquela galera que enxerga isso como o "novo dia-a-dia". Sim, eu acho um assustador ver os preços de um sanduíche sem nenhum diferencial custando 35, 40 reais? Qual a justificativa se nem a foto parece ser bonita e o lugar parece questionável. Quarenta reais eu posso ir no mercado pertinho aqui de casa e comprar um lanche para cada um aqui de casa, logo não é difícil de chegar a conclusão que eu compro no delivery apenas quando encontro preços ou cupons que realmente tornam viável estas compras. O "grandioso" Madero é um outro exemplo, muitos parecem ver como o local de happy hour, mas quem faz happy hour é o dono com o seu dinheiro. Lá eu fui umas três ou quatro vezes na vida, e é surpreendente o quão caro são os produtos deles, você fica com a sensação de que está pedindo algo realmente foda e essa expectativa nunca é alcançada, quando chega o sanduíche na mesa a sensação é sempre a de que "é só isso?" O sentimento que fica é sempre o da frustração. Acho que dá pra se ter uma ideia de como eu busco valorizar o meu dinheiro, eu não sou rico e estou longe de ser, mas eu gosto sempre de pensar em utilizar o meu rico dinheirinho com sabedoria.

Voltando aos assuntos dos celulares, eu sou o cara que usava um Zenfone até pouco tempo, agora por último acabei comprando um Samsung mais pelo mesmo custo-benefício que me levou a comprar dois celulares da Asus nos últimos 4 anos. E realmente, eu não troco de celular todo ano, compro um celular de bom custo-benefício já mirando nas minhas necessidades por pelo menos mais dois anos. E a troca neste prazo, que algumas vezes já teve mais de três anos, acaba sendo bastante conveniente porque é um prazo bastante razoável comparado a quantidade de inovações que tem sido colocada nos aparelhos. Dessa forma eu consigo valorizar o meu dinheiro e não fico com um dispositivo que não consegue fazer algo que eu precisaria que ele fizesse. 

Como já disse, eu estou longe de ser rico; mas essa busca pela valorização do meu dinheiro me faz encontrar bons custos benefícios e que algumas vezes já me fez parecer até alguém que tem mais dinheiro do que realmente tenho. E eu não consigo acreditar que quem compra um iPhone de 14 mil reais faz o mesmo. Por mais que seja um milionário e que este dinheiro seja realmente um quase nada, a troca de aparelho anual para se manter "antenado" com as novidades na maçã joga na cara uma falta de amor com aquilo que ela tem. E o pior, este aparelho que para os ricaços acaba sendo uma simples desvalorização do seu dinheiro acaba se transformando em uma corrida por status entre aqueles que na sua vida real, não teriam possibilidades de gastar um dinheiro tão grande em algo que na prática não conseguirá trazer um mínimo custo-benefício. Sim, para uma pessoa de classe média ou baixa, um aparelho da maçã apenas irá aumentar o seu "status social", nada além disso. Já de pontos negativos existem vários, a começar pelo grande pensamento de que uma parcela de 300 reais de um apartamento é algo caro, mas o bloquinho de boletos com o mesmo valor para um iPhone não é visto da mesma forma, sem falar de todas as outras coisas que ela precisa comprar e que é mais importante, e que por azar acabaram perderam a prioridade por causa de uma maçã estampada num aparelho celular.  

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Apenas valorize o trabalho da dublagem brasileira

 One Piece fez sua estreia na TV brasileira com uma nova dublagem, e para variar, a galera que acompanha a trama a um bom tempo reclamou das novas vozes dos personagens. E no final das contas eu concordo imensamente com o meme que segue abaixo.

E se pensarmos um pouco mais, não serve apenas para o One Piece não, a localização que os profissionais de dublagem brasileira fazem é tão boa, mas tão boa que é comum vermos coisas feitas lá foram com expressões e piadas tiradas diretamente do contexto social brasileiro.

Mas sempre tem aqueles chatos que falam: "Ainn mas a dublagem tira algumas coisas de contexto, pipipi pópópó..." E sim, é claro!!! Por algum acaso se eu responder "seja bem vindo" após você fazer um favor pra mim fará algum sentido para nós, brasileiros? 

No auge da sua ignorância você acha que todo mundo é fluente em inglês e consegue entender aquela expressão em inglês que lá nos cafundós do Judas faz muito sentido? Saiba que você só está sendo um arrogante, um babaca que ignora o fato de apenas 5% da população brasileira falar em inglês, e que só 1% tem fluência nessa língua estrangeira.

E se você é um daqueles que "não conseguem assistir dublado" só te pergunto se em alguma vez na vida você assistiu Chaves em espanhol? 

Pense muito bem se o que te irrita em ver algo dublado é a perda da chance de mostrar que sabe inglês ou se é porque mais pessoas poderão ter acesso ao filme, série ou documentário que antes era inacessível a elas. 

Não importando qual seja o motivo que te irrita, saiba que você precisa aprender a ser um pouco mais humilde.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

O final da meia-entrada nos cinemas.

Virou notícia o projeto que visa acabar com as meia-entradas nos cinemas Brasileiros. E num levantamento realizado pela Ancine, a % de "inteiras" vendidas nas bilheterias de cinemas brasileiros caiu de 30% para 21 numa comparação de 2017 e 2019.

Pra falar a verdade, não vejo sentido em como a meia-entrada é utilizada no cinema hoje. Não existe controle, você com toda certeza conhece alguém que não poderia ter comprado meia-entrada e que comprou, entrou e assistiu o filme sem nenhum problema. Quantos % das meia-entradas vendidas vocês realmente acham que tem o resguardo para ser uma meia-entrada?

Se a meia-entrada foi criada para facilitar o acesso à bens culturais pelos mais pobres, ela está falhando miseravelmente. 

E sim, é errado acabar com a meia entrada do cinema, mas deve-se encontrar uma forma dela realmente servir ao seu propósito.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Nova definição do complexo de vira-latas

Nestes últimos dias temos percebido como os autointitulados "patriotas" gostam do Brasil. Claro que isso daria um texto gigantesco e talvez eu escreva sobre isso mais tarde, mas neste momento temos um exemplo simples e prático. Analise as duas situações:

- Morre 130 franceses em atentado terrorista.
Reação dos "patriotas": OMG, que absurdo! Isso nunca poderia ter acontecido. 
Pensamento dos "patriotas": *comoção nacional com bandeirinha da França na foto de perfil*

- São registradas quase 1.500 mortes de brasileiros por causa do COVID19 após os atentados do governo contra a saúde pública, ignorando totalmente aquilo que está escrito na Constituição.
Reação dos "patriotas": Pare de dar notícia ruim, a economia não pode parar!!!
Pensamento dos "patriotas": *vai trabalhar vagabundo*

Por que as vidas estrangeiras tem mais valor que as vidas brasileiras? Seriam estes os "patrhipócritas"?

quarta-feira, 3 de junho de 2020

O vandalismo não funciona

Em 2013 praticamente todo mundo decidiu sair às ruas para protestar. Não importava muito o lado político, todos estavam lá. Mas uma coisa começou a fazer as pessoas começassem a se dividir. Alguns atos de vandalismo levantaram um questionamento de quem estava fazendo aquilo e se todo mundo se sentia representado pelas avenidas depredadas. E no final das contas isso foi um grande motivo para que as pessoas decidissem parar de participar dos protestos, e muitas vezes a se revoltar também contra todo aquele vandalismo. Podemos dizer até que tudo isso gerou um certo ódio por algumas das bandeiras que ali estavam sendo levantadas.
O resultado de tudo aquilo veio um pouco mais tarde, com o Aécio não aceitando a sua derrota em 14, com o impeachment em 16 e a eleição do asno do Bolsonaro em 18.
É legal dizer que agora são 70%, mas do jeito que as coisas vão, não duvido que logo logo poderão ser 68, 60... 50%... e talvez até menos do que isso.
Talvez seja isso que alguns desejam.


terça-feira, 19 de maio de 2020

Qual é o probrema?

Este texto está num documento do Google Drive datado de 2015. Mas eu lembro que tinha escrito ele durante o embate político de 2014 e curiosamente não foi publicado, ou pelo menos não encontrei.
Nesses últimos dias tenho percebido uma certa intolerância com o jeito que algumas pessoas escrevem, vi pessoas criticando o governo federal enquanto aqui no estado do Paraná, quem cuida das escolas que preparam os alunos para provas que dão acesso ao ensino superior é o governo estadual (que infelizmente demonstra que a educação está longe de ser seu foco, pelo menos é o que aparenta). Vi também severas críticas a alguns alunos que passaram no vestibular com redação zerada, vi inúmeros gritos de “analfabeto” e por aí vai. Querendo ou não isso me chamou atenção e fiz um breve exercício tentando pensar em algumas possibilidades para o que tem ocorrido. 

O primeiro ponto que quero comentar é a forma diferente do brasileiro mesmo falar. Somos um país continental, sim, é claro! Mas não é de comparar um gaúcho com um nordestino falando pra descobrir que eles usam palavras diferentes. Nosso país é marcado pela diferença social aliada ao preconceito. O Rio de Janeiro é a cidade que talvez seja a mais conhecida Brasil, destino de turistas do mundo inteiro, nos fornece uma diferença muito curiosa. A forma com que os mais favorecidos financeiramente falam (o pessoal do Leblon, Niterói e por aí vai, ou você pode até considerar o sotaque visto nas novelas) completamente diferente daquele sotaque que você vê a grande massa falando, os cariocas que podemos chamar de normais, trabalhadores e heróis do dia-a-dia que lutam pelo sustento de sua família.

Isso não é tudo, essa forma diferente de pessoas do mesmo lugar falar sempre foi uma característica nossa, desde que éramos uma colônia. No período da escravidão isso deveria ser imensamente eminente. Mais tarde, após o fim da escravidão, obviamente que aqueles que como posso falar... tinham o poder político, sejam os coronéis, os políticos mesmo ou até mesmo aqueles que se achavam a nata da sociedade. No Brasil os mais ricos, sempre arranjaram uma forma de fazer algo que lhes fizessem sentir-se superior, desde as roupas que usavam até a linguagem que falavam. Assim surgiu o Vossa Senhoria, Vossa Alteza, Vossa Magnificência, Digníssimo, Vossa Majestade e todas essas coisas que particularmente acho muito chato. Creio que tudo isso surgiu apenas como um modo de auto-afirmação, de sou melhor que você e todo aquele negócio preconceituoso que sempre existiu no Brasil. Talvez por isso o "juridiquês", que adota palavras tão incomuns, seja a forma mais escondida dessa diferenciação, afinal tem-se como um pré-conceito que os advogados são das classes mais favorecidas. O fato de tentar falar o mais correto possível sempre fez alguns acharem que são mais que outros e foi assim que surgiu alguns grandes nomes que só vemos no nosso Brasilzão: o Wellington, o Richarlysson, o Wandercleide, o Valdisnei, Neymar e por aí vai. Porque existem esses nomes? Na minha visão isso é meio que simples, porque ter um nome "internacionalizado" é chique, é bonito, parece gente que veio de fora e é rica. 

Outro ponto que queria comentar é o seguinte, por um texto que alguém escreve você consegue perceber se a outra pessoa é inteligente?? Creio que não, não é por ela saber quando usar o gerúndio que você descobre se ela é inteligente, não é por saber a morfossintaxe das palavras que ela é esperta. Sabe conjugar o verbo? Legal camarada, mas e daí? Daí que se você não sabe, você não é burro! Duvido que metade das pessoas que por algum motivo estão lendo este texto lembrem o que é um adverbio ou o que é um período composto por subordinação. Eu não lembro, quem é que lembrar depois de um mês da prova? Garanto que são poucos…

Ainda quero comentar brevemente o fato de estarmos numa língua viva, uma língua em que todo dia surgem palavras novas, palavras de outras línguas que são incorporadas a nossa. Parem com essa burrice, tuitar é um verbo e está no Aurélio, nossa língua muda constantemente, tem que ser muito idiota pra não perceber isso. E outra coisa, o português brasileiro é uma língua totalmente diferente do português falado em Portugal. Falando em Portugal, veja que legal: quando o príncipe Willian vai a Portugal e vai sentar na mesa do seu banquete, adivinha o nome que está escrito nela? Se você pensou Willian você errou, lá está escrito Guilherme. Lá em Portugal o uso de linguagem estrangeira é restringido afim de proteger sua forma de falar. Sim, proteger. E até novelas da Globo os portugueses mais conservadores cogitam em dublar para não correr o risco da população portuguesa perder parte da sua identidade cultural.

Estranho não? 

Então pra finalizar e isso não ficar muito extenso, creio que nunca antes na história da humanidade houve tantas pessoas escrevendo, nunca! Muitas pessoas hoje que tem lá seus 40, 50 anos e estudaram apenas o que era acessível quando criança estão na internet escrevendo e se comunicando com os outros. Faça um breve exercício de lógica: você via mais pessoas errando na hora de escrever quando você abria uma carta endereçada a ti ou hoje onde você publica um breve texto e pode ser lido por centenas? Você vai questionar: mas e essa galera que tem 15, 16 anos e escreve errado? Pois bem, eles são o futuro. A nossa língua é viva e por isso tivemos um acordo ortográfico que aposto que apenas o Brasil está “seguindo” ele. Falando nisso, connfesso que escrever heroi ao invés de herói é meio estranho e não quero mudar isso. A forma que eles usam para se comunicar não pode ser considerada errada, pois linguistas consideram que desde que uma pessoa faça a outra entender aquilo que ela quis dizer, a linguagem utilizada está correta. E se você não entende, paciência. Provavelmente você não seja o público alvo. E vendo por este ângulo, a comunicação que eles usam é extremamente mais prática e eficaz do que longos discursos apenas para escrever/dizer algo relativamente fácil. 

Então se você se acha mais inteligente que alguém apenas pela forma que você fala ou escreve, lembre que nem tudo é perfecto e que você pode estar a trocar alhos por bugalhos.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

O Brasil da pátria amada esqueceu que era para ser um país de todos.

Hoje começaram as inscrições para o Enem, e como todos aqui devem saber, tudo o que tem se falado sobre a prova tem ganhado uma grande repercussão. Então decidi escrever o meu ponto de vista sobre a campanha realizada pelo ministério da Educação para a promoção Enem. Na primeira tomada vemos um estudante com dois celulares, dentre eles um IPhone e aparentemente um Galaxy S10, apoiados num tripé que eu nunca vi à venda por um preço acessível.


Na segunda tomada, uma estudante ao lado de seu MacBook começa a falar para você ESTUDAR de qualquer lugar, de diferentes formas, pela Internet, enfim... falou praticamente para que os estudantes "se virem". Mais ao final, uma outra estudante grava outra cena e ao pausar ela somos surpreendidos com o fato dela também possuir um Iphone, que está equipado com um microfone da Rode e mais um outro super tripé. Todos os takes com prateleiras de livros lindas, livros num estado tão "novo" que nem parecem terem sido emprestadas de alguma biblioteca pública, que é para muitos a única forma de ter um livro em suas mãos.



Este é o Brasil da "pátria amada", a representação do estudante ali colocada é a do estudante de classe A e B. A representação daqueles alunos que passaram pelo ensino fundamental e médio nas melhores escolas de sua cidade, onde as mensalidades custam mais que um salário mínimo. Este estudante médio, que o ministério da educação quis retratar, despertou a curiosidade para saber quantos % dos estudantes brasileiros eles conseguiram de fato representar.


Se bem me lembro, outro dia li uma reportagem falando que mais de 30% dos estudantes brasileiros não possuem acesso a Internet. Será mesmo que, como eu vejo muito aqui no LinkedIn, é apenas a pessoa ter vontade, empreender e conseguir seu acesso a Internet? Ou será que o governo deveria pensar o por que que estes 30% não possuem acesso? E quem garante que dentro dos outros 70% todos possuem uma internet boa o suficiente para acompanhar suas vídeo-aulas em boa qualidade? Será mesmo que todos os alunos dentro do Brasil possuem um super smartphone, um notebook ou até mesmo um "pc" para conseguir acompanhar vídeo-aulas? Faz algum tempo que eu saí do ensino médio, mas lá no começo da década eu estudava de manhã e trabalhava a tarde para conseguir comprar as coisas que eu precisava, como o uniforme escolar, os materiais e mais tarde depois de juntar dinheiro por muito tempo, um computador. Lembro que muita gente dependia do colégio para fazer suas inscrições para as provas, sejam o PSS, o vestibular, Enem e até mesmo as OBMEP. Talvez as coisas tenham mudado de lá pra cá, mas pensar nisso é querer entrar numa bolha que não faço parte.
Querer que o Brasil seja representado desta forma é curioso, alguns dados recentes do índice de Gini (que para quem não sabe é um índice que tenta mensurar a desigualdade social dentro dos países) mostra que somos o sétimo país da lista. O sétimo país de baixo pra cima, ou seja, o sétimo país mais desigual do mundo. Reportagens mostram que 2,7% das famílias brasileiras concentram 20% de toda a renda brasileira. Estes devem viver numa bolha, e a propaganda do Enem realmente conseguiu representá-los. Mas o mundo fora desta bolha é diferente, se buscarmos alguns dados internos do nosso país, conseguimos claramente entender o porque de tanta desigualdade, o porque de tudo isso acaba justificando. Mas vivemos num governo que o estudo social é visto como algo inútil, desnecessário. E as coisas acabam saindo "do jeito que tá aí".
Apenas para simplificar, alguns dados recentes mostram que mais da metade dos brasileiros recebem menos de um salário mínimo ao mês. 35,7% da população não possui coleta de esgoto em sua residência, somos o 112º país no ranking de saneamento. Dados indicam que a extrema pobreza voltou a ser uma crescente, e nós voltamos a ver reportagens sobre a fome, algo que lembro ser bastante comum quando era criança lá nos anos 90. Estamos próximos ao maior nível de desemprego da nossa história, e conforme entrevista de um secretário do Ministério da Fazenda, a perspectiva do desemprego em meio a pandemia é do número praticamente dobrar. E a incompetência do governo é assumida quando o secretário enuncia que “A gente pega muito dinheiro do povo, mas usa mal”.


O Brasil tinha conseguido mudar sua situação, tivemos grandes evoluções desde a crise de 98 até parte desta década. Se pegarmos um mapa de IDH deste período poderíamos até ficar orgulhosos, pois de fato houve estímulo ao desenvolvimento em grande parte do Brasil. Vivemos o melhor momento da nossa economia, com o menor índice de desemprego da história, com o varejo e o setor de serviços mostrando sua força e assumindo o principal papel na roda da nossa economia. E não era à toa, o governo soube incentivar muito bem para que tudo isso acontecesse, lembram da isenção de IPI? Mas de determinado momento pra cá, a continuidade foi perdida. E a promessa de uma retomada e até de uma renovação, de reformas... de fazer o que deveria ser feito, foi uma promessa enganosa.
Depois de toda esta abertura para falar sobre a situação sócio-econômica do Brasil, quero voltar a falar do Enem. Não sou o único a pensar que a Educação é a principal ferramenta para o desenvolvimento de um país. Nas salas de aula cresci com professores contando que o Japão conseguiu se recuperar de duas bombas atômicas e virar uma super potência tecnológica graças ao investimento na educação. Por que deveria pensar diferente?


Quando assisti a propaganda me questionei porque eles quiseram representar aquilo que não reflete a maioria dos brasileiros. Por que fazer uma propaganda focada claramente naqueles que se não conseguirem uma vaga em alguma universidade pública com toda certeza conseguirão ainda pagar por uma graduação? O foco do governo está correto? A educação se mostra como uma grande variável para o aumento da renda de uma família. E sim, deve ser uma preocupação do governo em querer que isso seja cada vez mais acessível. A conta é simples: famílias com maior renda possuem maior poder de compra, e assim toda a roda da economia pode girar mais rápido. O governo em todos os níveis, ao promover uma prova tão abrangente quanto esta, deve estar lá para fazer isso acontecer. Caso contrário este exame perde totalmente o sentido. Então não é difícil concluir que a propaganda do Enem destinou-se a alguma base eleitoral que praticamente não inclui os brasileiros, até pelo contrário, exclui. É triste, mas a exclusão está muito presente dentro do nosso dia-a-dia. Muitos, por exemplo, lembram dos menos favorecidos apenas na hora de bater a foto de sua "caridade" no Natal.
Não foram poucas as manifestações nos últimos anos pedindo por maior responsabilidade dos gastos públicos. E dinheiro nós sabemos que o país tem, se você duvida por favor pesquise por impostômetro. O que falta é querer gastar da forma correta. Afinal de contas, quem é que precisa de auxílio terno? Ou de auxílio moradia? Porque eles tem vale refeição? Ainda mais quando se tem um salário astronômico para o padrão da nossa sociedade. Como pode isso não ser incomodo pra ninguém, mas aqueles 80 reais do Bolsa Família que ajuda muitas famílias a simplesmente "comprar alimentos" consegue revoltar tanta gente?

Claro que daqui a quatro ou cinco anos surgirão novos mártires, novos heróis nacionais que conseguiram sair da extrema pobreza para conseguir um diploma que vai lhe colocar na mesma c ondição daquele cara que estudou a vida inteira na escola particular e fez uma universidade pública quando for procurar um emprego. E talvez este novo mártir consiga o emprego enquanto o outro irá achar injusto, pois pensa ser melhor do que um "ex-favelado", ou um "ex-caipira". Mas sabemos que é muito pelo contrário, quem vem dos meios mais carentes tende a se comprometer muito mais do que os outros. Toda esta grande propaganda por trás destes sofridos heróis é idolatrada por muitos, sem falar daqueles que disparam para todos os outros que "quem quer consegue". Mas quem fala isso normalmente pensa que passar fome é ficar sem seu jantar. A soma de tudo isso acaba mostrando a inconsciência social dos brasileiros. E claro, reflete também a incompetência do nosso Estado, que de sua obrigação a promover a educação a todos, prefere fazer cafuné naqueles que pela sua condição social nem deveriam ser lembrados, mas são os que conseguem fazer a maior birra.

E no final das contas é isso. Muitos falam que o problema do Brasil é estrutural, e não tem muito como fugir disso. Precisamos evoluir muito ainda para que possamos ser uma sociedade melhor. Mas infelizmente aqueles que conseguem fazer barulho não estão preocupados com isso.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Devo me preocupar com o preço do dólar?

A galera não tá ligada no que o preço do dólar pode fazer na nossa economia. Não é só os Xiaomis mais caros não, nem só a sua Netflix, ou sua passagem pra Orlando. Não é porque seu combustível agora está mais barato que o preço do dólar deve deixar de te incomodar.<br />
Coisas mais importantes serão impactadas por isso, coisas que vão literalmente chegar à mesa de todos. O preço do PÃOZINHO por exemplo, para quem não sabe nós importamos em média 6 milhões de toneladas de trigo ao ano.<br />
"Ain mais um real ou dois a mais por dia não vai fazer diferença pra mim, mimimi popopo". Mas já parou pra pensar que mais de metade dos Brasileiros sobrevivem com menos de um salário mínimo ao mês? Falta muito para sermos uma sociedade e a aversão a quem anda por aí com a camiseta da CBF continua crescendo.