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segunda-feira, 3 de março de 2025

Columbia e Rapture: o fracasso utópico

Columbia, uma cidade flutuante, deslumbrante, e organizada, um paraíso visual com arquitetura impressionante e, à primeira vista, uma aparente harmonia social. Uma cidade para os "escolhidos", criada para ser o mais próximo possível de um "paraíso", mistura fé, religiosidade e política, tendo como líder Comstock, um homem que se autoproclamou profeta e cuja autoridade não pode ser questionada. A cidade exibe tecnologias incríveis, mas logo percebemos o "preço" dessa grandiosidade. O fanatismo religioso e nacionalista alimenta uma segregação opressiva contra minorias e dissidentes, algo inicialmente sutil, mas que logo se torna revoltante, como quando percebemos a existência de banheiros exclusivos para aqueles considerados "puros" e "não puros".



Rapture, por sua vez, foi construída por Andrew Ryan sob a premissa de liberdade absoluta, onde o mérito individual e a ambição definiriam o sucesso. Sem interferência governamental ou restrições morais, essa cidade submersa atingiu avanços científicos extraordinários, da autossuficiência no fundo do mar à modificação genética.Uma cidade feita para aqueles que buscavam um lugar sem limitações, onde o status social era supostamente conquistado por talento e ambição, mas, na prática, a ambição e a ganância determinavam quanto do status poderia ser comprado.


Ambas as cidades fracassaram, e a desigualdade social é um fator comum que levou ambas à ruína. Em uma delas, a desigualdade foi promovida pela segregação racial e social, enquanto na outra, pela falta de "mérito", pela falta de capacidade (financeira). A opressão do profeta, que alimentava seus apoiadores com discursos nacionalistas e excludentes, chegando a controlar até os relacionamentos entre as pessoas, contrasta com o capitalismo desenfreado de Rapture, onde a ganância e o egoísmo facilmente resultavam em uma disputa por poder. Uma cidade é clara, lindamente iluminada, um conto de fadas totalmente idealizado pelo seu profeta, cheio de manipulações da "verdade" e distorções da realidade que, mesmo evidentes, as pessoas se mostravam incapazes de enxergar. A outra é escura, despertando um sentimento misto entre mistério e deslumbre, onde uma triste realidade é estampada a cada novo ambiente explorado.

Columbia e Rapture, embora fundadas em ideologias opostas, seguiram o mesmo caminho em direção à ruína. O excepcionalismo religioso e nacionalista de Columbia, assim como o objetivismo e a liberdade irrestrita de Rapture escancaram os vícios humanos: extremismo, corrupção do poder e desigualdade social. Enquanto Columbia é destruída por seu fanatismo ideológico e opressor, Rapture colapsa devido à ganância e ausência de limites morais. São belas teorias fadadas ao fracasso que ignoram todas as complexidades humanas, desafiando temas ainda atuais que mesclam polarização, desigualdade e dilemas éticos.


terça-feira, 28 de janeiro de 2025

DeepSeek e a disrupção da recém nascida IA

Vamos lá! Vou tentar contar uma historinha de uma forma que fique fácil de entender.

Os Estados Unidos acreditam que ter um bom domínio sobre a Inteligência Artificial garantirá que eles estejam à frente na nova revolução industrial que está por vir — uma revolução digital. Por isso, investiram bilhões em tecnologias para que suas Big Techs, as grandes empresas de tecnologia, pudessem desenvolver inteligências artificiais generativas. Essas IAs têm o objetivo de auxiliar as empresas e transformar o mercado.

Eles sempre souberam que existe outro lugar no mundo com um poder tecnológico gigantesco. Lembra da crise de chips durante a pandemia? Conhece a TSMC? Ela é a maior fabricante de chips do mundo. Quando falo em chips, estou me referindo a processadores, placas de vídeo e outros componentes essenciais. Do outro lado do mundo, a Ásia domina a produção desses componentes com o melhor padrão de qualidade: memórias, SSDs, telas para celulares e muitos outros. No entanto, os EUA, especialmente o pessoal do Vale do Silício, nunca consideraram os asiáticos uma “ameaça” em termos de competitividade. Para eles, os asiáticos só faziam “peças”, e o desenvolvimento tecnológico oriental era visto como ultrapassado e pouco inovador.

Apesar disso, durante o primeiro governo de Trump, os EUA decidiram implementar algumas medidas para restringir parcialmente a influência chinesa. O caso mais notável foi o conflito com a Huawei, que começou com as antenas 5G e se estendeu à comercialização de seus aparelhos com Android. Claro, isso também afetou outras áreas, como a venda de chips da Nvidia, que se tornou uma das maiores empresas do mundo nos últimos anos, principalmente devido ao boom da Inteligência Artificial.

E os chineses seguiram suas vidas. Bem, então surgiu o famoso ChatGPT, um produto com investimentos gigantescos, inclusive da Microsoft, além de outras IAs de várias Big Techs estadunidenses, como o Gemini, o Copilot, a Meta IA e várias outras. Essas empresas conseguiram recursos praticamente infinitos para financiar a energia gasta e as inúmeras unidades de processamento necessárias para treinar e desenvolver essas inteligências artificiais.

Mas você se lembra do TikTok? Pois é, ele surgiu do outro lado do mundo, com uma interface que cativou o mundo todo. Certo? E eu diria que o aspecto mais disruptivo do TikTok não está na sua interface, mas na maneira como a plataforma entrega o conteúdo produzido. Enquanto Twitter, Instagram, Facebook e outras redes sociais estadunidenses geralmente entregam o que elas querem (já ouviu falar em interferência em eleições por meio dessas plataformas?), o TikTok é claro que está visando seu lucro, mas ele se esforça mais em entregar o que o usuário quer, o que ele procura. Já deve ter ouvido falar que o TikTok está “substituindo” o Google entre os mais jovens. Entendeu agora por que isso faz sentido? Percebe por que os estadunidenses estão tão preocupados e, recentemente, tentaram impedir o TikTok no país? Uma das condições para que a rede social continuasse acessível era que ela fosse vendida para algum grupo estadunidense.

Bem, continuemos. Antes mesmo do bloqueio do TikTok nos Estados Unidos, jovens e Tiktokers estadunidenses entraram em um acordo entre si para baixar outro aplicativo chinês: uma rede social usada por chineses para chineses, que funcionava basicamente como um “review” de lugares. Era um espaço para fazer check-in, avaliar estabelecimentos, postar fotos e compartilhar experiências. Nessa troca de informações culturais, os jovens estadunidenses perceberam que a China era um lugar completamente diferente do que imaginavam, com certas liberdades que existiam de um lado e não do outro, e vice-versa.

Dada toda essa contextualização, chegamos a alguns dias atrás, quando uma startup chinesa lançou um produto para competir com a Inteligência Artificial mais conhecida e utilizada no mundo. Esse novo produto chinês demonstrou características tão aprimoradas que rapidamente se tornou o aplicativo número 1 na Apple Store e também o mais bem avaliado por lá.

E, claro, isso chamou a atenção do mundo. Espantou todo o cenário das Big Techs estadunidenses, mostrando o tamanho da ineficiência delas.

Os chineses dessa startup trabalhavam com unidades de processamento limitadas e tecnologicamente defasadas em comparação com o que é utilizado pelas empresas estadunidenses, graças às medidas restritivas do primeiro governo Trump. Eles tiveram que trabalhar com o que tinham, aperfeiçoando os códigos de software para realizar todo o trabalho mesmo assim.

Com aproximadamente 6% do último investimento que foi captado pela Open IA, dona do ChatGPT, criaram o que já num primeiro momento é um produto muito equivalente aos usuários mais comuns e, em alguns aspectos, até melhor, conseguindo manter diálogos mais fluidos e contextualizados com uma linguagem mais cotidiana. Além disso, para provar sua eficiência abriram o código para que qualquer pessoa com conhecimento técnico suficiente pudesse utilizá-lo e adaptá-lo para suas necessidades. Algo como o Android, que pode ser usado em celulares, tablets, computadores, geladeiras, TVs e qualquer outro dispositivo, o DeepSeek também poderá ser “baixado” e adaptado.

O que acaba sendo curioso também é que, ultimamente, temos visto uma enxurrada de produtos lançados especificamente para trabalhar com Inteligência Artificial. Novos processadores com componentes dedicados à IA, notebooks de última geração e uma série de dispositivos que chegam ao mercado com a promessa de serem os únicos capazes de lidar com essa nova tecnologia. No entanto, com o código do DeepSeek aberto e pessoas testando-o em suas próprias máquinas, percebeu-se que não é necessária toda essa nova “safra” de produtos especializados em IA. O hardware antigo já é capaz de realizar as tarefas do modelo de IA pronto. Talvez não com a mesma eficiência, mas, de forma alguma, de maneira inviável ou por enquanto, ineficiente.

Apesar do marketing agressivo das big techs, a otimização do DeepSeek revela que para o usuário comum, a “era da IA” ainda não exige hardware novo, apenas que os softwares sejam mais eficientes. Claro que modelos futuros certamente deverão demandar chips mais avançados mas o marketing por upgrades imediatos ainda não parece justificável. Um exemplo claro são os celulares: a Samsung está anos à frente da Apple em IA, com a Galaxy AI chegando para as novas safras de celulares da marca, mas também integrada a aparelhos mais antigos por meio de atualizações de software.

Enquanto as empresas estadunidenses investem pesado em novas tecnologias de hardware, os chineses, com o DeepSeek, mostraram que, com software bem otimizado, é possível alcançar resultados impressionantes mesmo com equipamentos mais antigos. Essa descoberta não só desafia a narrativa das Big Techs, mas também coloca em xeque a necessidade de data centers cada vez maiores, assim como as atualizações constantes de hardware para que o usuário comum acompanhe as inovações em IA.

Aqui cabe uma distinção entre o usuário comum, que se vê incentivado a comprar um novo hardware que apenas ele seria capaz de utilizar a “inteligência artificial”, da necessidade das big techs desenvolvedoras de modelos de inteligência artificial generativa em ter acesso a grandes data centers capazes de cumprir tarefas pesadas como simulações científicas ou treinamento multimodal.

E então veio o crash: a falta de confiança dos investidores nos resultados que as empresas estadunidenses estão apresentando, em comparação com o investimento e o produto que a startup chinesa lançou.

Não importa o quanto os Estados Unidos tentem reprimir o que acontece do outro lado do mundo, estamos chegando a um momento em que eles terão grandes desafios para continuar liderando o mercado de tecnologia. A China tem se tornado um grande polo tecnológico, e isso inclui a inovação em IA, e podemos deduzir que continuará assim ao observarmos que os EUA tem cortado investimentos em universidades e pesquisas enquanto a China aumenta estes mesmos “gastos”.

Apesar disso, vale lembrar: a indústria chinesa de IA AINDA depende dos semicondutores ocidentais para treinar seus modelos mais complexos, uma vulnerabilidade que os EUA exploram com restrições à exportação de chips mas que aparentemente não é capaz de frear o processo. A China já possui investimentos gigantes para fábricas de chips para reduzir este gargalo, mostrando que a disputa pela eficiencia em IA está apenas começando.

Já sabemos o espetáculo que são as tecnologias japonesas e coreanas, embora em menor escala de investimento. E logo teremos mais um participante nessa brincadeira: a Índia já está chegando. Os Estados Unidos podem até considerá-los um grande rival e tentar impor uma “bipolaridade” ao mundo, mas os chineses não estão nem aí. Eles estão atrás de dinheiro, de lucro. Assim como os europeus fizeram durante a colonização da América e da África. Assim como os estadunidenses fizeram ao financiar a guerra e depois a reconstrução dos países devastados na Europa após a Segunda Guerra Mundial.

O mundo eurocêntrico, que cedeu espaço à extravagância consumista e predatória dos Estados Unidos no pós-guerra, acabará ficando em segundo plano com a ascensão dos asiáticos nessa brincadeira.

E volto a frisar: enquanto as empresas estadunidenses visam entregar aquilo que dá mais lucro e vantagem política para elas, as empresas asiáticas estão mais interessadas em entregar aquilo aquilo que sabem que fará você ficar mais tempo na plataforma. Ah, mas você tem que dar os dados para eles, blá-blá-blá… Opa, não se esqueça do escândalo de dados do Facebook–Cambridge Analytica! Pegar seus dados todas vão, mas você vai preferir favorecer quem te entrega o que elas querem ou quem te entrega o que você quer? Boa parte dos jovens, não só os estadunidenses, já percebeu que isso está intrínseco nessas redes. E você, já parou para pensar nisso?

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

A opressão nas eleições

Vamos ser bem honestos.

Tem muita gente sendo oprimida pela ideologia de algumas classes que neste atual governo se colocaram como dominantes, como os milicianos, uma galera de uma alta elite da igreja evangélica, empresários a beira da falência, ou uma galera louca para invadir mais e mais da Amazônia, ou de áreas de reserva. E Bolsonaro consegue ser a convergência de todos estes. É essa galera que é racista, homofóbica, machista, xenófoba, intolerante, é essa galera que não quer um país progressista, que se beneficiam do país vivendo em um grande atraso.

É este tipo de gente que resolve fazer campanha política com mentiras, com montagens, com todo tipo de jogo sujo que eles podem. Tudo para evitar que algo mudem e que eles tenham que responder criminalmente pelo que fazem. 

Acredite, eles conseguem atingir muita gente, desde as igrejas com inúmeras casas que ao invés de pregar sobre o seu deus resolvem falar de política, até os vários vídeos de "patrões" ameaçando seus funcionários em caso de voto contrário ao do Bolsonaro. Esse padrão pode nem ter muita coisa, mas conseguiu estar em um grupo que tem alguém mais relevante, que está no grupo de alguém mais relevante... e então ele acaba pensando que também pode fazer algo assim. 

Ah... na história isso era conhecido como o "Voto de Cabresto", algo que era uma forma de comprar votos e que acontecia no nosso país a um século atrás, lembra quando falam de coronelismo? E quem faz isso nem se importa se isso é ou não um crime, pra eles ser um criminoso perante a lei não vale de muita coisa porque eles não tem o mínimo de ética, o mínimo de moral para se importar com isso. Ou ainda, mesmo que ganhe uma multa ou alguma pena que eles podem simplesmente não cumprir, não pagar, ou se pagar é algo tão irrisório que nem pareceu uma punição por um crime.

São estes que conseguem influenciar uma parte do povo, fazer com que eles nem saibam direito o que criticam, não sabem o porque defendem Bolsonaro, não sabem o porque não votam no outro candidato. Os que são atingidos por uma onda de manipulação, com inúmeras fake news criando um mundo que não existe, e que  não medem esforços para tentar detonar todos aqueles que entram em desacordo com o estes manipuladores querem. 

Assim, muita gente acaba defendendo um governo que vai contra os seus próprios princípios, contra os seus próprios interesses. Tudo isso porque em algum momento um bando de iletrados, retrógrados, imorais e criminosos querem continuar sendo as atrocidades que são.



domingo, 28 de março de 2021

Quem é que chama a Globo de lixo mesmo?

Nesta última década foram os eleitores da Dilma em 2013, aí foram os eleitores tucanos, depois voltaram a ser os eleitores da presidenta, na sequência foram os "de direita" por causa do Temer, nosso vampiro favorito. Mais tarde foram os eleitores de Bolsonaro.

Vocês realmente acham que o jornalismo da Globo defende ou ataca algum governo?

A Globo é a única emissora do Brasil que pode fazer o que quiser porque tem verba para se sustentar, diferente de um SBT que o Silvio Santos tá dependendo do dinheiro do governo pra tentar manter o canal no positivo. 

Mas isso não justifica o porque de não falarem explicitamente a verdade, não falarem explicitamente  que o Presidente mentiu pra caramba em seu pronunciamento?

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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

A coleção de pedidos de impeachment

 E lá se encaminha o 62º pedido de impeachment de Bolsonaro, todos com motivos mais do que justificáveis.

A efeito de comparação, Dilma teve 37 pedidos até ter um aceito.

Agora imaginem que ainda existem pessoas que falam que ele não tem rabo preso.



domingo, 17 de maio de 2020

A falta de governabilidade

Vou tentar contar uma historinha aqui. Lá em 2013 houveram alguns protestos nas ruas. Eu estive lá, você também esteve ou pelo menos conhece alguém que estava lá. Claro que depois de algum tempo teve muita gente quem nem sabia mais porque estava lá, tinha muita gente por motivos bastante diferentes. Mas se fosse para resumir em um único motivo eu diria que quem estava lá estava cansado dos políticos não estarem governando para o povo, não estarem representando o povo. Pessoas que estavam cansadas dos vintes centavos aqui e acolá, cansadas de serem tratadas como palhaças. Lembram de 2013 mesmo, e em 2014 quando nos jogos de Copa das Confederações e Copa do Mundo a presidente foi vaiada por vários minutos em estádios lotados?
Depois da reeleição de Dilma em 2014, seu segundo mandato começou de uma forma bastante conturbada. A indignação da parte derrotada acabou, ao longo do tempo, colaborando para a falta de governabilidade, e assim para o impeachment.

Ó céus! O que é essa tal de falta de governabilidade?

Para explicar de uma forma rápida: a equipe presidencial não consegue governar, tomar decisões sozinha, ela precisa ter o apoio do congresso em suas instancias (senado e câmara). E por algum motivo ela, que tinha a maior base durante a eleição, acabou perdendo este apoio aos poucos durante o governo. Até tentar trazer o Lula para o governo ela tentou, mas a decisão acabou sendo barrada pelo STF. Lula poderia ser uma solução naquele momento pois sempre conseguiu articular muito bem os projetos do seu governo com o congresso, algo totalmente diferente do que acontecia naquele segundo mandato da presidente Dilma.
O país viveu o final de suas políticas de incentivo ao consumo (um dos principais motivos do grande crescimento nos anos anteriores), e a falta de governabilidade da presidente acabou resultando em inúmeras tentativas falhas de tentar diminuir a brusca desaceleração econômica. As investigações sobre corrupção continuaram, e como um presidente deve fazer, Dilma não se intrometeu nelas e viu até seus aliados serem investigados, e condenados. E adivinha? Isso também ajudou ela a perder apoio político para seus projetos.
Sem o apoio, sem governabilidade, cada tentativa de fazer algo pela nossa economia acabava parecendo uma tentativa de apagar o fogo com querosene. E depois disso nós acabamos chegando ao momento do pedido de impeachment.
Lembram daquelas cenas de um filme de terror, daquela aberração que chamaram de votação para o impeachment? Acho que no final das contas todo mundo que assistiu aquilo ficou com vergonha daqueles caras serem os que criam e votam nossas leis. Mas dois anos depois muita gente se esqueceu daquela aberração e ajudou na reeleição de muitos daqueles deputados e senadores.
Mas a verdade é que o impeachment não ocorreu para salvar a família, não foi por Deus, não foi pela nação brasileira. A verdade é que hoje vemos que o impedimento definitivamente não foi por causa das pedaladas (pois depois da saída de Dilma o presidente Temer acabou conseguindo deixar as pedaladas “dentro da lei."). Talvez tenha sido mesmo a indignação da parte derrotada num cenário de grandes investigações sobre corrupção (será que alguns estavam com medo?).
Enfim, tudo isso ajudou a criar uma imagem de ódio a Dilma. O simples fato dela ser uma mulher numa sociedade extremamente machista criou uma imagem onde vimos até outras mulheres “torcendo contra”, desejando doenças, desejando que ela se f... e até desejando sua morte.
Ao final de todo este episódio nós não podemos dizer que Dilma desrespeitou a democracia.
Depois da saída da presidente, de forma estranha passei a ver menos investigações sobre corrupção, ou pelo menos passei a ver as investigações perderem o poder de divulgação que tinham antes...
E hoje temos até um Presidente que quer saber, ter o controle sobre investigações que incluem o nome de alguns aliados e familiares. Presidente este aliás, eleito com grande apoio da bancada BBB (boi, bala e bíblia), vem conseguindo revoltar grande parte da sua base aliada. E vem tentando, num ato covarde, impulsionar aqueles poucos que ainda o apoiam a se revoltar contra aquilo que mostra explicitamente sua incapacidade em governar, e se revoltar também contra algumas investigações que parecem lhe prejudicar.
Constituição? Ele nunca deve ter lido pois sempre demonstrou um grande preconceito, desejando até mortes, afinal de contas, para ele o "pobre devia morrer", o negro ser escravo e o gay deveria apanhar. Algo bastante diferente da nossa constituição que defende do direito à vida, à liberdade, à igualdade e à segurança (está lá no artigo 5º da Constituição Federal, já leu?).
Este presidente não tem um cérebro, não tem governabilidade e às vezes nem parece que queria ter se candidatado ao cargo, pois não quer assumir as responsabilidades necessárias. E é bizarro a forma que ele se recusa a aceitar que é o presidente e que seus atos irão sim virar notícia.
No final das contas ele pode até não ser coveiro, não ser médico... mas suas palavras ajudam a colocar “sangue” nas mãos de seus eleitores. Alguns já estão envergonhados, alguns arrependidos, outros já pedem pra ele sair de lá o quanto antes... e outros continuam mugindo.


segunda-feira, 6 de abril de 2020

Até quando Mandetta vai permanecer?

A notícia abaixo saiu hoje por volta das três horas da tarde. De certa forma, sabíamos que ele era o mais lúcido "daquele governo lá" neste momento. E sabíamos que em todas as matérias que vinham ganhando repercussão mostravam um presidente altamente preocupado com o destaque de seu ministro, este que vinha ganhando até um certo carisma da população ao tentar fazer o que devia ser feito.
Querendo ou não, a saída dele mostra novamente o sentimento de autoritarismo de Bolsonaro. Ele não quer que alguém brilhe mais do que ele. Ele quer ser o dono da verdade e não irá exitar em tirar do cargo quem discorde, ou quem apareça um pouco mais do que ele. Ele vocês sabem, Mandetta não foi o primeiro e nem será o último, lembrem-se que até Moro já foi ameaçado...
E o pior de tudo é ver o gado - apelido carinhoso que eu dou para os eleitores de Bolsonaro - passando o pano e até defendendo/negando este autoritarismo. Bolsonaro demonstra não se importar mais com o que a maioria pensa, quer criar suas próprias regras. Mas alguém com tamanho déficit de inteligência, tão iletrado e que vive em seu vasto mundo da ignorância... Consegue ter alguma linha de raciocínio condizente com o cargo de presidente?
É PRA DEIXAR O BRASIL PREOCUPADO.
Só queria saber onde estão aqueles que bradavam: "Se Bolsonaro fizer merda a gente tira ele da presidência também!!!!". Gente, já se foram 15 meses deste cara fazendo merda lá, e vocês estão quietinhos. Quando que vocês vão tirar ele de lá? Ou vocês por algum acaso tem o QI menor do que ele e não conseguem entender tudo o que vem acontecendo?

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