Columbia, uma cidade flutuante, deslumbrante, e organizada, um paraíso visual com arquitetura impressionante e, à primeira vista, uma aparente harmonia social. Uma cidade para os "escolhidos", criada para ser o mais próximo possível de um "paraíso", mistura fé, religiosidade e política, tendo como líder Comstock, um homem que se autoproclamou profeta e cuja autoridade não pode ser questionada. A cidade exibe tecnologias incríveis, mas logo percebemos o "preço" dessa grandiosidade. O fanatismo religioso e nacionalista alimenta uma segregação opressiva contra minorias e dissidentes, algo inicialmente sutil, mas que logo se torna revoltante, como quando percebemos a existência de banheiros exclusivos para aqueles considerados "puros" e "não puros".

Rapture, por sua vez, foi construída por Andrew Ryan sob a premissa de liberdade absoluta, onde o mérito individual e a ambição definiriam o sucesso. Sem interferência governamental ou restrições morais, essa cidade submersa atingiu avanços científicos extraordinários, da autossuficiência no fundo do mar à modificação genética.Uma cidade feita para aqueles que buscavam um lugar sem limitações, onde o status social era supostamente conquistado por talento e ambição, mas, na prática, a ambição e a ganância determinavam quanto do status poderia ser comprado.

Ambas as cidades fracassaram, e a desigualdade social é um fator comum que levou ambas à ruína. Em uma delas, a desigualdade foi promovida pela segregação racial e social, enquanto na outra, pela falta de "mérito", pela falta de capacidade (financeira). A opressão do profeta, que alimentava seus apoiadores com discursos nacionalistas e excludentes, chegando a controlar até os relacionamentos entre as pessoas, contrasta com o capitalismo desenfreado de Rapture, onde a ganância e o egoísmo facilmente resultavam em uma disputa por poder. Uma cidade é clara, lindamente iluminada, um conto de fadas totalmente idealizado pelo seu profeta, cheio de manipulações da "verdade" e distorções da realidade que, mesmo evidentes, as pessoas se mostravam incapazes de enxergar. A outra é escura, despertando um sentimento misto entre mistério e deslumbre, onde uma triste realidade é estampada a cada novo ambiente explorado.
Columbia e Rapture, embora fundadas em ideologias opostas, seguiram o mesmo caminho em direção à ruína. O excepcionalismo religioso e nacionalista de Columbia, assim como o objetivismo e a liberdade irrestrita de Rapture escancaram os vícios humanos: extremismo, corrupção do poder e desigualdade social. Enquanto Columbia é destruída por seu fanatismo ideológico e opressor, Rapture colapsa devido à ganância e ausência de limites morais. São belas teorias fadadas ao fracasso que ignoram todas as complexidades humanas, desafiando temas ainda atuais que mesclam polarização, desigualdade e dilemas éticos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário