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domingo, 15 de dezembro de 2024

A polêmica imaginária do GOTY 2024

Quero falar dar a minha opinião sobre a eleição do melhor jogo do ano de 2024, tentando desenvolver um pensamento para que fique mais fácil das outras pessoas entenderem. É interessante pensar que a eleição é realizada pela votação de diversos veículos de imprensa, no Brasil temos oito canais de imprensa que participam dessa eleição, e cada um deles precisa repassar a ordem dos games finalistas para a organização do TGA, e é apenas “uma lista” por veículo de imprensa. Sim, falei especificamente dessa premiação porque existem várias premiações de melhor jogo do ano, o qual a do TGA, The Game Awards, é a mais conhecida.

Assim sendo, entendo que existam reuniões para votação interna dos sites/portais, e eles definem assim sua ordem de games para repassar à premiação. E por assim já sabemos que não é para eleger um game como o melhor do ano, e sim decidir a ordem dos melhores dentre os finalistas. Logo, todos os games finalistas vão somando pontos conforme a ordem que eles são colocados: o primeiro ganha x pontos, o segundo game ganha y, o terceiro game da lista ganha z pontos, e assim por diante.


Ao final da apuração dos votos, o vencedor é conhecido. O que pode ter acontecido nessa votação é que o game mais constante venceu, Astro pode não ser o game GOTY da maioria dos veículos de imprensa, mas possivelmente esteve bem constante entre o segundo, e terceiro, enquanto Wukong, ReFAntazio e Rebirth devem ter alternado muito mais entre as posições, por exemplo: Rebirth pode ter ficado 30 vezes em primeiro em 30 respostas, mas em outras 30 ele ficou em quinto na lista, por exemplo. Astro pode ter ganhado não sendo o mais votado como o melhor, mas por estar mais ao topo dentre todos os veículos de imprensa que participaram da eleição. Aliás, quem viu minimamente algo sobre o AstroBot sabe que este game respira videogame, e esse comentário não é uma alusão sobre a campanha em que nós encontramos partes de videogames das gerações antigas de Playstation.


Dito isso, e adicionando uma informação sobre a tão “polêmica” premiação de 2018, não é segredo algum que nestas reuniões dentro das redações para decidir os votos dos veículos de imprensa o Red Dead 2 foi tremendamente desfavorecido. A votação aparentemente acontece em novembro, e vamos lembrar que o God of War foi lançado em abril de 2018, e o Red Dead Redemption 2 no final de outubro, pouquíssimo tempo antes da votação.


Já ouvi de jornalistas que nestas reuniões de 15, 20 jornalistas para decidir os votos do veículo de imprensa, apenas um, ou dois jornalistas já tinham conseguido jogar Red Dead Redemption 2 (pois a redação inteira não vai parar pra todo mundo jogar a mesma coisa) e aí seria sei lá, dois votos do RDR2 contra 7 ou 8 votos dentro daquela redação de pessoas que já tinham jogado o GOW, dentre os outros votos pra AC Odyssey, Spider Man, Celeste...


Dito isso, afirmar que 2018 foi injustiça ou até pensar em “revanchismo” pela premiação de 2010 é deixar o lado fanboy de faroeste disparar, é assumir que não quer nenhuma lógica que mostre que sua birra não tem nenhum sentido, assim como dizer que o Wukong merecia muito mais que os outros, pois dentre os games indicados, era o game com menor média de notas do Metacritic, que abrange muitas notas dos mesmos portais que participam da eleição da premiação em questão. Ah... mas tem que colocar mais importância no voto popular... então, no Metacritic o Astrobot é o game melhor avaliado do ano. Ainda no TGA, a votação popular teve o Wukong junto à DLC do Elder Ring e outros três jogos chineses: Genshin Impact, Wuthering Waves e Zenless Zone Zero. Sim, uma DLC, para o público, foi melhor JOGO do que Rebirth, ReFantazio e cia. Por fim, quero lembrar vocês que existe outra premiação que leva mais em conta o voto popular: Golden Joystick Awards.


Enfim, sabemos que tem muita gente que fica xingando a premiação sem ter jogado os outros games que competiram. Um grupo fechado e barulhento decidem por si mesmo quem é o GOTY e ficam disparando sobre quaisquer outro resultado que não seja o que eles querem. O próprio 2018 teve muitos jogos bons que poderiam ter ganho, Spider Man foi sensacional, muita gente acha o AC Odyssey o melhor dos AC RPGs, Celeste é incrível principalmente ao abordar temas de saúde mental (e tem arte BR).
E pra mim, a comparação de AstroBot ser GOTY e RDR2 não ser não é muito inteligente, eles não competiram contra os mesmos adversários e nem entre si. E nem possuem versões para as mesmas plataformas.



quinta-feira, 21 de julho de 2022

"Virar Venezuela"

É meio chato que alguns ainda acreditem nisso, mas como economista acho importante explicar o porque o Brasil não corre riscos de virar uma Venezuela. Vamos lá.

Primeiramente é importante entender como a crise da Venezuela aconteceu. Você sabe como?

A Venezuela é um dos maiores exportadores de petróleo, e toda a sua economia era baseada nisso. Não existia uma segunda coisa na economia deles para ajudar. Tudo no país dependia do dinheiro que eles faziam com o petróleo, e a elasticidade do preço ou da demanda deles iria impactar muito na aquisição dos bens de consumo, os bens que a população precisava para o dia a dia. E quando eu falo em bens eu estou falando desde a importação de alimentos até roupas, eletros, etc. Quando houve uma mudança repentina no preço e demanda do petróleo que eles produzem, isso ficou insustentável. Não havia dinheiro e não havia um plano B para a economia. E assim a crise que amedronta os desinformados aconteceu.



Vamos trazer este pensamento para o Brasil. Vamos tentar traçar um paralelo. O Brasil não é um país que depende unicamente de uma coisa na economia para estar economicamente bem. Na verdade nós temos grandes espaços vazios, espaços não ocupados da nossa economia, mas temos um setor terciário muito grande e que se ele estiver bem, a economia do país ficará bem.

E ao contrário do que muita gente pensa, nestes últimos anos de governo nós chegamos mais perto da Venezuela como nunca antes tínhamos chegado antes. Desde 2019 nós vimos grandes empresas saindo do país, vimos Ford, Mercedes, Sony, LG e até varejistas como o Wall Mart saindo daqui. Quantas vezes você não escutou lá em 2018 e 2019 o termo "fuga de investidores", quando o dólar começou a subir e o nível de confiabilidade do país a cair? Tanto que em determinado momento vimos a expressão de que o "agro é o que puxa a economia do nosso país". O uso desta frase claramente mostra que tem muita coisa errada na economia interna, pois o Agronegócio brasileiro é um setor que praticamente não depende da economia brasileira, ele depende do preço das commodities que vem lá da bolsa de Chicago, e assim da cotação do dólar. E se você olha as notícias mais atualizadas, vemos que o agro está um tanto sem expectativas de grande crescimento. Imaginem se a China diminui a compra de soja do Brasil, como isso afetaria o nosso agronegócio? 

Mas voltando um pouco, por declarações do ministro da fazenda vimos que falta incentivo a muita coisa que poderia ajudar a nossa economia, que poderia ser um plano B, um plano C, um plano D. Vimos um governo que passou três anos chamando os programas de distribuição de renda de "bolsa esmola", um governo que foi eleito com uma as promessas em acabar com estes auxílios. Programas de distribuição de renda são essenciais para movimentar a economia, principalmente em localidades mais distantes. Eles dão a oportunidade a alguém que não tinha dinheiro fazer compras, e assim dará a oportunidade de alguém vender, e o vendedor precisará comprar mais produtos para vender, a indústria vai precisar produzir mais, para produzir mais a indústria vai precisar contratar mais. É uma das várias formas de fazer a roda da economia girar. Um país com uma boa política de distribuição de renda se beneficia muito disso. 


Mas vimos um governo com números de  desempregos chegando a marcas históricas, vimos um governo que alterou a forma de contabilizar o nível de desempregos para esconder a realidade, colocando na conta também os trabalhadores informais (os bicos, os "freela"). E o que vocês acham que isso quer dizer? A economia está ruim? Quando se fala que o brasileiro perdeu seu poder de compra, não estamos falando apenas de inflação, estamos falando que muita gente perdeu a sua renda e não consegue mais comprar as coisas que precisam. Além do preço da carne de um dos países que mais exportam carne pro mundo ficar bem mais caro, muita gente perdeu a renda que tinha antes, perdeu seu emprego e isso torna mais difícil que ela consiga comprar a carne. 

Ao final das contas, um país que não quer ser uma Venezuela não se vangloria apenas por um setor da economia ir bem. Um país que não quer ser uma Venezuela tem um projeto econômico que não foca apenas em ser o "quintal" do mundo, é um país que vai muito além de agricultura, pecuária e extrativismo. 


Um país que não quer ser uma Venezuela tem investimentos em diversos âmbitos, seja na indústria automobilística, têxtil, alimentícia, de bebidas, indústria química e petroquímica, um país que pensa tanto na indústria de tecnologias e também incentiva a construção civil, um país que investe na saúde e na educação para ter uma população capacitada a trabalhar em todos estes âmbitos. 

Mas não apenas neles, precisamos falar do setor que abrange o destino final de tudo isso, que posso resumir em "varejo e serviços". Tudo o que é produzido precisa ser comercializado, deve estar a venda e numa economia de vento em poupa, o nível de desemprego não é alto e os trabalhadores tem dinheiro o suficiente para ir ao comércio, e também ao setor de serviços. O setor de serviços engloba muita coisa, muita mesmo. Vai desde serviços de transporte, frete, advogados, clínicas médicas, restaurantes, comerciantes, turismo, eletricistas e encanadores, serviços de entretenimento e cultura, finanças... Tudo isso também faz parte da economia e merece a atenção do governo para que exista uma estrutura para a economia ir bem. Tudo precisa da atenção para não corrermos os mesmos riscos de que nosso país vizinho esteve exposto. 


Apenas para finalizar, um governo que se diz fazer tudo por um único setor da economia e que como comentei, é um setor que não depende do governo para sobreviver. Este governo apenas estampa que pouco se importa com os vários outros setores da economia, e que está muito mais próximo de ser uma Venezuela do que ele alega não estar.

terça-feira, 23 de março de 2021

A polêmica dos comentários sobre Cyberpunk

A GameVicio fez uma lista das promessas que a desenvolvedora do jogo mais premiado da história prometeu para o seu novo RPG e que a indústria inteira e que todos os fãs do jogo mais premiado da história dos vídeo-games acreditaram. 

É estranho ver a galera culpando quem comprou o game, vocês que criticam quem comprou me contem uma coisa: vocês ficam de olho nos Big Macs na praça de alimentação pra decidirem se o sanduíche está vindo igual ao da foto pra então comprar OU vocês compram o lanche primeiro e depositam uma expectativa de que ele virá dentro de uma "margem de erro"?
É fácil falar agora, mas aposto que já fizeram altas pré-orders.



sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Por trás do número de focos

Hoje eu vi um post no Instagram sobre o número de focos de incêndio na Amazônia daquele que é considerado um dos economistas mais influentes do Brasil, Ricardo Amorim. Conhece ele? É aquele mesmo economista que falou com certo desdenho: "Em Cuba só tem três coisas funcionam: a segurança, a educação e a saúde". 

Agora que já refresquei a memória sobre quem é ele, quero dar uma continuação para o post dele, acrescentando novos pensamentos sobre o problema. Como ele mesmo comenta sobre o que é considerado um foco, não é preciso pensar muito que um um fogo de 30m x 1m é contado da mesma forma que um fogo de 500m x 15m. E que apenas o número de focos não quer dizer muita coisa, é impossível saber a área que eles foram capazes de devastar. Uma outra coisa que meio lógica é que se você tem um local em que o clima colabora para o surgimento dos focos de incêndio e você atua ativamente para apagar os que apareceram, logicamente você estará exposto a novos focos nas áreas em que o fogo ainda não destruiu. Agora se um único foco não tiver a devida preocupação para a contenção ele poderá destruir aquilo que outrora foram necessários outras dezenas ou centenas de focos...

E é claro que infelizmente, a cada ano que passa temos menos vegetação nativa, e por consequência temos menos chances de "bater o recorde". Pense que você tem um quintal grande e que quer cortar a grama logo após o trabalho, no primeiro dia você vai cortar e descobre logo no começo que sua extensão é curta e você consegue cortar apenas 1/4 do gramado. No segundo dia você emprestou uma extensão maior e poderia cortar todo o gramado, mas quando você estava chegando na metade choveu e você teve que parar imediatamente. No terceiro dia você não vai conseguir cortar o gramado inteiro novamente, vai conseguir cortar apenas a metade que ainda não tinha cortado nos dois dias anteriores, certo? Então é mais ou menos assim com as queimadas também, hoje é impossível que as queimadas no Maranhão atinjam algum recorde do passado, pois hoje quase que inexiste floresta Amazônica por lá. Não faz sentido alguém "se gabar" de uma queda do número de focos, o que é preciso fazer é ver o que está sendo feito para restaurar a floresta nestas regiões. 

No final das contas, para quem se preocupa com o meio ambiente os números de focos é apenas uma das métricas, para compreender melhor o que está acontecendo é importante buscar o conhecimento e a compreensão de outras métricas complementares. Se você volta no passado e tenta compreender o que aconteceu, você percebe que nunca houve mocinho nessa história, mas que pelo menos "disfarçavam" uma preocupação e procuravam tomar medidas condizentes, coisa totalmente oposta ao que encontramos hoje. Apenas fiquei incomodado com este post do economista, pois na minha graduação eu tive vários momentos em que os números eram apenas número e nem sempre eles mostravam a realidade. E em todas as vezes fui incentivado pelos meus professores a destrinchar tudo aquilo que realmente estava sendo exposto naquele momento. Neste caso, Amorim pareceu despreocupado com a falta de dados e quis mostrar um lado que não me parece ser muito bom e como eu já tinha lido em muitos lugares que o pior ano para o desmatamento da Amazônia tinha sido nos anos 90, e depois quase superamos esta marca em na década passada, queria relembrar o caso. E por algum acaso eu encontrei o gráfico abaixo no site do IMPE. Depois de um bom período de queda, a partir de 2015 os números voltaram a crescer de forma preocupante.

Gráfico do site do IMPE, clique para abrir o link.

Afinal de contas, temos que usar um passado catastrófico para melhorar o futuro, e não como desculpa para repeti-lo.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Sobre as cédulas de R$ 200.

Quero trazer o seguinte exercício de raciocínio: qual o sentido do governo brasileiro nadar mais uma vez contra a corrente mundial e começar a produzir uma cédula de maior valor? Até alguns meses atrás o Banco Central vinha tentando incentivar as movimentações financeiras pelo meio eletrônico, inclusive criando e incentivando um sistema de pagamentos instantâneos 24/7/365, o que aconteceu para ele mudar tanto a sua visão e querer lançar uma nova cédula? Quais os interesses envolvidos? Ou é apenas falta de planejamento, que no futuro trará seus problemas?

Apenas para agregar a este pensamento, abaixo está um link de 2016, quando a União Europeia começou a discutir o final das notas de € 500 sob a justificativa de que uma cédula com o valor tão elevado era na maioria das vezes "utilizada em operações desonestas para financiar o terrorismo e lavar dinheiro, em vez de fazer compras." No começo de 2019 as cédulas enfim pararam de ser produzidas, e todas aquelas aquelas que foram depositadas desde então são encaminhadas para destruição. 

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Também em 2016 a Índia BANIU da noite para o dia as cédulas de 500 e 1.000 Rúpias e sabe qual foi o motivo? Segundo o governo, o intuito era atacar integrantes do mercado negro que utilizam exclusivamente dinheiro vivo e de alto valor nominal, foi uma forma do governo combater a corrupção e tentar reduzir a sonegação de impostos. E claro que uma decisão tão repentina teve suas consequências.

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